Avaliação formativa e somativa: diferenças e exemplos
A avaliação formativa acontece durante a aprendizagem, e seus resultados servem para ajustar o ensino e a aprendizagem enquanto ainda há tempo: avaliação para a aprendizagem. A avaliação somativa acontece no fim de uma unidade, curso ou programa, e seus resultados servem para julgar e registrar o que foi aprendido: avaliação da aprendizagem.
A diferença está no uso dos resultados, não no formato. O mesmo questionário é formativo se muda o que acontece em seguida, e somativo se só gera uma nota.
Professores, instrutores e equipes de avaliação usam os dois tipos toda semana, muitas vezes sem dar nome a eles. Dar nome ajuda, porque eles servem a objetivos diferentes e devem ser elaborados de forma diferente. Uma prova feita para certificar competências é um mau questionário de treino, e uma checagem rápida de compreensão é uma má prova final. Este artigo explica a diferença, mostra exemplos na sala de aula, em treinamentos e nas empresas, resume o que diz a pesquisa e dá dicas práticas para elaborar cada uma.
De onde vêm os termos
Michael Scriven introduziu "formativa" e "somativa" em 1967 para descrever dois papéis da avaliação de programas educacionais: melhorar um programa enquanto ele é desenvolvido e julgá-lo depois de pronto. Benjamin Bloom e colegas aplicaram a distinção à aprendizagem dos alunos em 1971. A ideia pegou porque traduz uma escolha real de quem avalia: esta avaliação serve para ajudar a aprender ou para certificar o que foi aprendido?
As diferenças em resumo
| Formativa | Somativa | |
|---|---|---|
| Objetivo | Saber o que os alunos entendem agora, para decidir o próximo passo | Julgar e registrar o que os alunos alcançaram |
| Quando | Durante a aprendizagem, com frequência e brevemente | No fim de uma unidade, curso ou programa |
| Peso | Baixo: pouco ou nenhum efeito na nota final | Médio a alto: notas, aprovação, certificados, contratação |
| Quem age com os resultados | O professor e o aluno, na hora | A instituição, o empregador ou o aluno, depois |
| Retorno | Específico, sobre o que fazer a seguir | Em geral uma nota ou pontuação |
| Formatos comuns | Questionários curtos, simulados, perguntas de saída, rascunhos comentados | Provas finais, avaliações de fim de curso, exames de certificação, projetos finais |
| Prioridade de elaboração | Rápida de aplicar, revela erros de compreensão | Cobre o conteúdo; confiável, segura e justa |
Exemplos em diferentes contextos
- Escola e universidade. Formativa: um questionário de cinco questões no início da aula, uma pergunta "de dobradiça" no meio da aula para decidir se dá para avançar, comentários num primeiro rascunho. Somativa: a prova de fim de semestre, a nota do projeto final.
- Empresas de treinamento. Formativa: simulados entre os módulos, uma prova simulada duas semanas antes da real com a revisão de cada erro. Somativa: a prova de fim de curso que define quem recebe o certificado de conclusão.
- Empresas e RH. Formativa: checagens de conhecimento dentro do treinamento de integração que mandam cada pessoa de volta à parte que ficou faltando. Somativa: o teste de compliance obrigatório todo ano, ou um teste de habilidades para promoção.
- Entidades certificadoras. O exame de certificação em si é somativo. A avaliação formativa aparece como simulados oficiais e questões de exemplo para os candidatos se prepararem.
Outros dois termos aparecem com frequência. A avaliação diagnóstica acontece antes do ensino, para saber o que os alunos já sabem; no espírito, é formativa. As avaliações intermediárias ou de acompanhamento acontecem algumas vezes por ano para acompanhar o progresso; podem servir a qualquer dos dois objetivos, dependendo de alguém mudar o ensino por causa delas.
A avaliação formativa funciona?
O interesse atual pela avaliação formativa vem em grande parte da revisão de cerca de 250 estudos publicada em 1998 por Paul Black e Dylan Wiliam, que concluiu que fortalecer a avaliação formativa melhora o desempenho, com tamanhos de efeito muitas vezes citados entre 0,4 e 0,7. Trabalhos posteriores foram mais cautelosos. Uma meta-análise de 2011 de Neal Kingston e Brooke Nash encontrou um efeito médio menor, em torno de 0,2, e apontou que muitos estudos eram fracos. O resumo justo é que a avaliação formativa ajuda, numa medida relevante mas não milagrosa, e que o efeito depende de como ela é feita.
Duas descobertas explicam a maior parte da diferença:
- O retorno precisa ser usado. A revisão de John Hattie e Helen Timperley descreve um bom retorno como aquele que responde a três perguntas: aonde estou indo, como estou indo e qual o próximo passo? Uma nota sozinha não responde bem a nenhuma.
- Recuperar informações fortalece a memória. Nos experimentos de Henry Roediger e Jeffrey Karpicke, estudantes que fizeram testes de prática lembravam mais uma semana depois do que os que usaram o mesmo tempo para reestudar. Questionários de baixo peso não são só medida: fazem parte da aprendizagem.
Como elaborar uma boa avaliação formativa
Dylan Wiliam e Marnie Thompson descrevem cinco estratégias que resumem a prática:
- Esclarecer e compartilhar o que os alunos devem alcançar e como é o sucesso.
- Elaborar tarefas e perguntas que produzam evidências de compreensão.
- Dar retorno que faça os alunos avançarem.
- Levar os alunos a ajudarem uns aos outros.
- Levar os alunos a assumirem a própria aprendizagem.
Na prática, para questionários e simulados:
- Curtos e frequentes. Cinco questões por aula dizem mais do que cinquenta no fim do mês.
- Escreva distratores que revelem erros de compreensão. Se cada alternativa errada corresponde a um erro típico, o padrão de respostas mostra o que reensinar, não só quantos acertaram. O método é explicado em análise de itens.
- Mostre a resposta correta e o porquê. Uma breve explicação em cada questão transforma um simulado numa aula.
- Mantenha o peso baixo. No experimento de Ruth Butler, de 1988, os alunos que receberam comentários melhoraram mais do que os que receberam notas, e os que receberam os dois não foram melhores do que os que só receberam notas. Se um simulado pesa muito na nota final, os alunos vão tratá-lo como somativo, e colar passa a compensar.
- Aja com base nos resultados. Uma avaliação só é formativa se algo muda por causa dela.
Como elaborar uma boa avaliação somativa
- Comece por uma matriz de referência alinhada ao currículo, para que a prova cubra o que a nota diz certificar. Veja banco de questões para saber como uma matriz vira prova.
- Use questões suficientes para que as notas sejam confiáveis, sobretudo perto da nota de corte. Os números são explicados em confiabilidade e validade.
- Condições padronizadas e seguras: o mesmo tempo e as mesmas instruções para todos, fiscalização e versões diferentes para candidatos vizinhos.
- Confira as estatísticas antes de divulgar resultados. Um gabarito errado numa prova final afeta todos os candidatos; a análise de itens detecta.
- Decida o que os candidatos veem depois. Num exame de alto peso, mostrar todas as respostas corretas pode vazar o banco de questões; uma nota por parte costuma bastar.
Os dois tipos no ExamQR. A configuração Ver resultados do exame de cada exame define o que os candidatos veem ao entregar: Não (nenhuma nota), Nota total, Nota detalhada por questão ou Nota detalhada e respostas, que mostra a prova com as respostas corretas e a explicação que você escreveu para cada questão. O último modo serve para simulados; os dois primeiros, para provas finais. Você também pode permitir mais de uma tentativa, até o número que definir. Depois do exame, a página de análise de cada disciplina mostra a taxa de acerto e a discriminação de cada questão, para você ver que temas reensinar, e a ferramenta gratuita de análise de provas acrescenta o detalhamento de cada alternativa. Para avaliações somativas, as provas podem ser sorteadas do seu banco de questões por uma matriz em várias versões e fiscalizadas ao vivo, online ou no servidor de exames offline. Saiba mais sobre exames online.
Perguntas frequentes
Um questionário é formativo ou somativo?
Depende do uso dos resultados. Um questionário que leva o professor a reensinar um tema, ou o aluno a revisá-lo, é formativo. Um questionário cuja nota só entra na média final é somativo, mesmo que seja curto.
Resultados somativos podem ser usados de forma formativa?
Sim. Uma prova de fim de semestre pode mostrar quais temas a turma inteira achou difíceis, e isso pode orientar o ensino do ano seguinte. Isso às vezes é chamado de uso formativo das avaliações somativas.
A avaliação formativa deve valer nota?
Em geral não, ou só um pouco. Notas desviam a atenção da aprendizagem para a pontuação e incentivam a cola. Registre os resultados para orientar o ensino e dê comentários ou explicações em vez de notas.
Simulados são avaliação formativa?
Sim, quando os alunos recebem os resultados rápido e os usam, de preferência com as respostas corretas e explicações. Simulados também melhoram diretamente a memória, pelo efeito de testagem (testing effect).
Fontes
- Black, P. and Wiliam, D. (1998). Assessment and classroom learning. Assessment in Education: Principles, Policy & Practice, 5(1), 7–74.
- Bloom, B. S., Hastings, J. T. and Madaus, G. F. (1971). Handbook on Formative and Summative Evaluation of Student Learning. New York: McGraw-Hill.
- Butler, R. (1988). Enhancing and undermining intrinsic motivation: the effects of task-involving and ego-involving evaluation on interest and performance. British Journal of Educational Psychology, 58(1), 1–14.
- Hattie, J. and Timperley, H. (2007). The power of feedback. Review of Educational Research, 77(1), 81–112.
- Kingston, N. and Nash, B. (2011). Formative assessment: a meta-analysis and a call for research. Educational Measurement: Issues and Practice, 30(4), 28–37.
- Roediger, H. L. and Karpicke, J. D. (2006). Test-enhanced learning: taking memory tests improves long-term retention. Psychological Science, 17(3), 249–255.
- Scriven, M. (1967). The methodology of evaluation. In R. W. Tyler, R. M. Gagné and M. Scriven (Eds.), Perspectives of Curriculum Evaluation. Chicago: Rand McNally.
- Wiliam, D. and Thompson, M. (2008). Integrating assessment with learning: what will it take to make it work? In C. A. Dwyer (Ed.), The Future of Assessment: Shaping Teaching and Learning. New York: Lawrence Erlbaum.